Vereadora Laís Leão pede tombamento do Bosque da Copel para dar proteção imediata à mata nativa no Bigorrilho

Abaixo assinado pela preservação da área tem apoio de mais de 7 mil pessoas; caso será analisado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Curitiba

05/12/2025

 

A vereadora Laís Leão (PDT) protocolou nesta sexta-feira (5) um pedido de tombamento (preservação integral) do Bosque da Copel. A área de quase 100 mil metros quadrados abriga mata nativa e fica no bairro Bigorrilho, na Rua Padre Agostinho. 

O requerimento foi feito ao Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Curitiba (CMPC), órgão responsável por analisar pedidos de preservação de bens culturais, ambientais e paisagísticos. Se o pedido for aceito, o bosque passa a constar no Livro de Tombo do Patrimônio Ambiental e Paisagístico do Município e não pode ser derrubado (entenda o processo a seguir).

Nas últimas semanas, moradores de vários bairros de Curitiba se mobilizaram e reuniram mais de 7 mil assinaturas pela preservação do Bosque da Copel – os abaixo assinados foram formalmente entregues ao Ministério Público do Paraná. Na região do terreno, a população também estendeu faixas reforçando o desejo de manter a mata nativa.

A lei municipal 14.794/2016 prevê, a partir do protocolo do pedido, uma espécie de “congelamento” da área até decisão final para impedir danos irreversíveis ao patrimônio durante a análise técnica. 

Por exemplo, a medida protege a área de:

  • corte de árvores; 
  • obras; 
  • movimentação do solo; 
  • parcelamento ou modificação do solo. 

O pedido cita que, “diante das evidências jornalísticas de degradação recente, intervenções irregulares e pressões imobiliárias (algumas em curso e outras anunciadas publicamente)”, é imprenscidível a adoção imediata de medidas que protejam o patrimônio ambiental. 

“Há meses estamos recebendo mensagens de moradores assustados com a possibilidade de o Bosque da Copel ser afetado por empreendimentos imobiliários. A população se mobilizou, fez abaixo assinado, e está cobrando uma ação clara do poder público que reconheça a importância ambiental dessa área. É o que nós queremos com esse tombamento: garantir que Curitiba não perca esse patrimônio”, explica Laís Leão. 

Riqueza natural de Curitiba

O Bosque da Copel é hoje um dos últimos grandes fragmentos verdes do Bigorrilho (97mil m2). Ele abriga nascentes, áreas de recarga hídrica, remanescentes de Floresta com Araucárias e tem valor simbólico, urbanístico, arquitetônico e histórico para Curitiba. 

A área abriga o antigo “Chapéu do Pensador”, gabinete do Governo do Estado considerado um dos preferidos do ex-governador Jaime Lerner. 

“Sua preservação é indispensável para o funcionamento natural dos fluxos de infiltração e escoamento, essenciais para mitigação de enchentes, redução de ilhas de calor e manutenção dos serviços ecossistêmicos”, diz trecho do pedido de tombamento. 

 

Como funciona o tombamento

 

Qualquer pessoa ou empresa, dona ou não do bem, pode fazer um pedido de tombamento. A lei não estabelece quanto tempo pode durar o processo. O tombamento não muda a propriedade de um bem: ou seja, ele não é desapropriado

 

Veja a seguir como funciona o processo:

  1. Análise técnica

O Conselho determina a abertura formal do processo e encaminha para a Câmara Técnica, que realiza:

  • levantamento fotográfico e georreferenciado,
  • análise ambiental, hídrica e paisagística,
  • estudo histórico e urbanístico,
  • identificação completa dos lotes,
  • avaliação da memória social e comunitária.


Notificação do dono e de órgãos municipais

Aberto o processo, o Conselho deve:

  • notificar oficialmente o proprietário,
  • comunicar secretarias envolvidas,
  • abrir prazo para manifestação.

    Participação da sociedade

A legislação municipal prevê que, durante o procedimento, a comunidade pode:

  • apresentar documentos,
  • levar depoimentos,
  • entregar abaixo-assinados,
  • comparecer às discussões.

O objetivo é assegurar que a decisão final tenha respaldo técnico e social. 

Parecer final e votação

Concluída a fase técnica, o processo retorna ao Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, que delibera se o bem:

  • será tombado,
  • terá outro tipo de proteção, ou
  • será arquivado.

Se aprovado, o Bosque passa a constar no Livro de Tombo do Patrimônio Ambiental e Paisagístico do Município, garantindo proteção permanente.

Bosque é alvo há anos

Os temores sobre o futuro do bosque existem há anos. Em contato com moradores da região, e a partir de reportagens publicadas nas últimas décadas, é possível identificar várias tentativas de reduzir a área de mata (localizada em região nobre da capital). 

Porém, o medo se intensificou diante dos relatos de que o terreno teria sido vendido pela Copel para a implantação de um empreendimento imobiliário. Em 2023, a Companhia Paranaense de Energia foi privatizada e deixou de ser uma estatal.

No fim de outubro, a empresa confirmou ao mandato da Vereadora Laís Leão que, em 30 de setembro de 2024, a área foi alienada por meio de “Escritura Pública de Compra e Venda”. A empresa se limitou a dizer que não tem informações sobre o que o atual proprietário fará com o bosque.

O próprio poder público já reconheceu, em 2018, a importância ambiental do Bosque. Em dezembro de 2018, o prefeito Rafael Greca e a então governadora Cida Borghetti firmaram um protocolo de intenções para criar uma Reserva Particular do Patrimônio Natural Municipal (RPPNM) na área, na época parte do Polo Padre Agostinho da Copel. 

À época, Greca, atual secretário de Estado do Desenvolvimento Sustentável, afirmou que o bosque “alivia o impacto dos espigões e do sistema trinário de transporte”, reconhecendo o papel do bosque no combate às ilhas de calor e na regulação hídrica. 

As “intenções” nunca se confirmaram. Então, em outubro deste ano, Laís Leão também protocolou uma Sugestão ao Executivo propondo a transformação da área em Reserva Particular do Patrimônio Natural Municipal (RPPNM) de Curitiba. 

Ana Krüger, assessora de comunicação

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