Levantamento mostra que quase metade dos ônibus rodando está fora da vida útil
13/01/2026
A vereadora de Curitiba Laís Leão (PDT) enviou nesta segunda-feira (12) novo Pedido de Informação à URBS sobre quais medidas o município tomará para garantir a segurança dos passageiros e motoristas diante da grande quantidade de ônibus antigos em operação (veja detalhes a seguir).
A parlamentar cita a preocupação com as condições do serviço até a nova licitação ser realizada. O cronograma da Prefeitura de Curitiba prevê a publicação do edital em novembro de 2025, o que não ocorreu. A previsão do município é a assinatura do novo contrato acontecer em junho de 2026.
Laís Leão quer saber, por exemplo, se a URBS autorizará novas compras de veículos pelas atuais operadoras do sistema.
“Nós precisamos de mais transparência. Porque o que está claro para o passageiro é: tem muito ônibus antigo rodando e uma nova concessão que ainda não sabemos exatamente quando vai começar a operar. O povo não pode ficar refém de questões burocráticas e pagar o preço por isso, andando em veículos que podem não ser seguros.”
Desde o início do mandato, Laís Leão tem fiscalizado com especial atenção o transporte público de Curitiba e realizou, inclusive, levantamento próprio sobre a percepção dos passageiros sobre o serviço. Nos últimos meses vem chamando a atenção as reclamações sobre as condições dos veículos operantes.
Dados do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp) divulgados este ano indicam que cerca de metade da frota cadastrada opera fora da vida útil. Os números confirmam relatos enviados à vereadora por quem diariamente utiliza o transporte público.
Em novembro de 2025, por exemplo, um morador do bairro Pinheirinho buscou o mandato relatando que um ônibus fabricado em 2000 estava rodando nas linhas Palmeira e Futurama. Na época, a vereadora questionou a URBS sobre o caso e perguntou qual é a vida útil máxima autorizada para a operação em Curitiba.
Na resposta, enviada em dezembro de 2025, a URBS cita que “todos os veículos operantes no transporte coletivo de Curitiba estão com as inspeções em dia e com seus Certificados de Cadastro e Inspeção (Selos de Inspeção) dentro da validade”, sem detalhar qual seria a vida útil adotada para a frota.
Idade tarifária
Apesar de a expressão “vida útil” ser popularmente utilizada para tratar das condições dos ônibus, a URBS esclareceu que adota a “idade tarifária”. Segundo a empresa, a idade tarifária é a base para “efeitos de amortização do bem e tem relação com os cálculos da tarifa técnica e não às condições técnicas do veículo”.
A URBS afirma que veículos com mais de 10 anos de “idade tarifária” passam por revisões com mais frequência. Ainda segundo a companhia, ônibus nessas condições só serão substituídos na nova concessão do serviço.
No dia 6 de janeiro de 2026, a parlamentar fez novos questionamentos à URBS, desta vez pedindo mais detalhes sobre a quantidade e áreas de circulação de ônibus fabricados há pelo menos 15 anos de fabricação.
“A identificação de quantos veículos se enquadram nessas faixas etárias e em quais linhas estão alocados permite uma análise territorializada do sistema, evidenciando se determinadas regiões ou bairros estão sendo atendidos de forma desigual, com frota mais antiga, o que pode refletir desigualdades socioespaciais”, diz trecho do requerimento.
O pedido de informação aguarda resposta do município. Considerado as perguntas já feitas e respostas recebidas, a parlamentar fez os seguintes questionamentos à URBS nesta segunda-feira (12):
“O transporte coletivo é um elemento central da mobilidade urbana de Curitiba e exerce papel estratégico na organização da cidade, no acesso da população aos serviços e na promoção de um deslocamento mais sustentável. A frota de ônibus precisa atender a critérios adequados de segurança, conforto e eficiência”, reforça o documento.
Ana Krüger, assessora de comunicação
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