Meu busão de volta: vereadora cobra retorno de linhas desativadas na pandemia

Laís Leão sugeriu reativação do Circular Centro, Inter-hospitais e de linha direta até o Aeroporto Afonso Pena

Curitiba pode reativar linhas de ônibus que deixaram de operar na pandemia de Covid-19. A sugestão à Prefeitura foi feita pela vereadora Laís Leão (PDT) após vários pedidos da população pela volta do Circular Centro, do Inter-hospitais e das linhas Aeroporto Executivo e Ligeirinho Aeroporto. 

As Sugestões ao Executivo foram entregues nesta quarta-feira (20) em reunião com o presidente da Urbs, Ogeny Maia Neto, e com o diretor de Mobilidade Urbana, Sérgio Luis de Oliveira. A conversa permitiu avanços nas articulações pela retomada das linhas. 

A proposta da parlamentar é incluir na nova concessão do transporte coletivo de Curitiba a criação de uma linha específica ligando a região central ao Aeroporto Afonso Pena, na Região Metropolitana.

“Curitiba é uma cidade referência numa região importante do país, essa conexão precisa ser mais fácil. Não tem como a pessoa ter que ir até o Terminal do Boqueirão para conseguir chegar no aeroporto. Se a gente quer fomentar o turismo, se a gente quer que Curitiba seja referência, se a gente quer fomentar esse título de cidade inteligente, a gente precisa conseguir ter essa conexão com outras cidades do país”, argumenta Laís Leão. 

Na justificativa à Prefeitura, o mandato cita que as linhas desativadas eram opções acessíveis, práticas e seguras até o aeroporto. A falta de uma alternativa de transporte público tem provocado dificuldades no deslocamento, ampliando a dependência de transporte por aplicativo ou táxis, o que representa custo elevado e menor previsibilidade ao passageiro.

O atual contrato de concessão do transporte público de Curitiba termina em setembro. A previsão do município é lançar o edital da nova licitação em novembro. 

“A ideia é a gente conseguir fazer essa articulação e aproveitar esse momento da nova concessão do transporte para fazer mudanças substanciais na cidade”, afirma a parlamentar. 

Ligação entre hospitais

Outra sugestão da vereadora é incluir na nova concessão a retomada da linha Inter-hospitais. O serviço existiu por mais de 20 anos e foi desativado em 2020 sob a justificativa de não gerar retorno financeiro ao sistema de transporte coletivo. 

A linha atendia 13 grandes instituições de saúde, partindo da Rodoferroviária, e operava a cada 30 minutos. Ao longo dos 15,2 km de trajeto, havia paradas a cada 400 metros. Os ônibus eram acessíveis, equipados com elevador e espaço para cadeiras de rodas.

“Não é somente para pacientes que, às vezes, fazem tratamentos em hospitais diferentes e precisam dessa conexão direta, mas também para os profissionais da saúde, que têm plantões diferentes, em hospitais diferentes, e precisam ter esse acesso facilitado à infraestrutura urbana sem depender do veículo individual”, explica Laís Leão. 

Circular Centro: o mais pedido

A vereadora destaca que a linha com maior número de pedidos de recriação é a Circular Centro, que existiu de 1981 a 2020 e conectava pontos estratégicos da área central com regularidade e eficiência. 

A sugestão de Laís Leão à Prefeitura é que a retomada do Circular Centro faça parte do Plano de Desenvolvimento da Região Central – uma das ações estruturantes da atual gestão municipal. A proposta apresentada pela parlamentar é a linha operar apenas com ônibus elétricos e sem cobrança de passagem. 

“A ideia é que a gente consiga fomentar estratégias de mobilidade urbana que sejam desvinculadas do transporte individual. Então, que você consiga fazer pequenos trajetos usando a mobilidade a pé, bicicleta ou transporte público. Por isso a proposta, inclusive, de tarifa zero. Lógico, o usuário teria que validar ali o seu cartão de transporte para conseguir entrar, mas não seria descontado esse valor. Porque aí compensa você fazer um trecho pequeno”, diz a vereadora. 

A volta do Circular Centro poderia, por exemplo, ser uma alternativa barata para pessoas idosas que vivem na região central e precisam fazer compras, sem a necessidade do transporte individual. 

“As pessoas ainda têm um entendimento bastante deturpado com relação à tarifa zero… de que vai virar bagunça. Mas não, a ideia é que o usuário valide a entrada com o cartão transporte, mas que esse custo seja seja subsidiado pelo poder público, justamente para incentivar o uso”, afirma. 

A medida pode incentivar o uso da região central de forma mais inteligente, fortalecendo a circulação no coração da cidade, fomentando o comércio, a cultura e o turismo local, além de estimular a requalificação do espaço público.

 

Ana Krüger, assessora de comunicação

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