Debate na Câmara Municipal de Curitiba levantou críticas sobre o atual modelo e propôs caminhos possíveis
A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) realizou na noite desta quinta-feira (13) uma audiência pública sobre a gestão de resíduos sólidos e a licitação de limpeza urbana de Curitiba. O evento foi convocado por mulheres que integram a maior bancada feminina da história da Casa: as vereadoras Vanda de Assis (PT), Laís Leão (PDT), Camilla Gonda (PSB) e Giorgia Prates (PT).
O debate de mais de três horas evidenciou a urgência de mudanças nas políticas públicas de resíduos sólidos. As críticas citaram, por exemplo, a dependência dos aterros, as ainda incipientes políticas de compostagem e a não remuneração da mão de obra dos catadores – essenciais na limpeza da cidade e reciclagem.
O público lotou o auditório da CMC para acompanhar a audiência que contou com a presença da população, de órgãos públicos, de movimentos sociais, de parlamentares e da sociedade civil. O debate também foi transmitido pelas redes sociais da Câmara.
A vereadora Laís Leão alertou que determinadas demandas nunca deixarão de serem urgentes enquanto o poder público não mudar a forma como lida com elas.
“Se a gente ficar tomando soluções velhas, o problema vai continuar velho, vai continuar o mesmo, a gente vai ficar apagando fogo o tempo todo. Não é chatice, não é exagero, é urgência! Se a gente não fizer agora, não vai ter 2050 pra gente fazer”, destacou.
A parlamentar lembrou que a capital paranaense tem em seu histórico campanhas como a Família Folha, que incentivou a reciclagem nos anos 90. Porém, reforçou que é preciso avançar e pensar em novas soluções urbanas: “A gente não pode viver de história. A gente tem que viver do presente e a gente também tem que pensar no futuro. A gente não pode pensar mais com uma mentalidade de 2025, a gente tem que pensar com cabeça de 2050”.
Um dos caminhos citados pela parlamentar é reduzir a quantidade de resíduos no destino final e enviar aos aterros, por exemplo, apenas o que não possa ser compostado ou reciclado.
“Que as pessoas possam tratar seu lixo em casa, que a gente fale de compostagem, que a gente fale de um plano municipal de compostagem de fato robusto e que as pessoas consigam aplicar na casa delas”, sugeriu.
Além dos questionamentos e apontamentos do público, a audiência contou com contribuições do deputado estadual Goura (PDT), do deputado federal Tadeu Veneri (PT), da vereadora Professora Angela (PSOL) e de representantes do:
– Movimento Nacional de Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR);
Coletivo Lixo Zero;
– Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama);
– EKOA (Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental da UFPR);
– Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis (CATAMARE);
– Diretoria de Limpeza da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA);
– Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos no Paraná (MTD);
– Movimento Popular por Moradia (MPM);
– Observatório de Justiça e Conservação;
– Coletivo SOS Arthur Bernardes.
Câmara terá frente para tratar do tema
Ao fim do evento, a vereadora Vanda de Assis, proponente da audiência, anunciou que nesta quinta protocolou o requerimento de criação da Frente Parlamentar em Defesa da Gestão Sustentável dos Resíduos Sólidos. O pedido já conta com a assinatura da vereadora Laís Leão.
Conforme o pedido, o grupo terá o objetivo de acompanhar, fiscalizar e propor políticas públicas de redução, reutilização e reciclagem de resíduos, a valorização dos trabalhadores da coleta seletiva e a garantia de infraestrutura adequada para a gestão sustentável dos resíduos em Curitiba.
Ana Krüger, assessora de Comunicação
Envie sua demanda no (41) 98844-2370
ou ligue no (41) 3350-4515
Rua Barão do Rio Branco, 720
Anexo II, 1º Andar, Sala 01